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AGALOPADO
Sou mais que as manadas ao som do chocalho, esteira de prata nas larvas de fogo, transtorno de outono buscando agasalho: espadas, mugidos, relógios, agouros.
O fogo dos ventos soprando do norte, a noite azulada tangendo os abismos. Na dança da flecha se vão os aforismos: paisagens, caminhos, sertões, um galope.
Lonjuras, espinhos, mais um retirante; que pasme a cidade ante o vôo do condor e a orquestra afinada dos ventos uivantes
no entulho da morte dos sonhos de amor. Não morro no inferno traçado por Dante porque codifico a loucura que sou.
Antonio Carlos Barreto |