Escrevo diante da janela
aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas
filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista
doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de
nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...
Jogos da luz dançando na
folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também
sou da paisagem...
Vago, solúvel no ar, fico
sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que
me vão pintando!
Mario Quintana - A Rua dos Cataventos